Privatizações uma forma não declarada de Roubo !!!/Reinaldo conceição da Silva
Privatizações como parte do pacote do mercado financeiro.
Em nosso novo blog, em nossas primeiras discussões tratamos do contigente interpretativo de golpe e como discernir a representatividade de um ato ou fato através de um enunciado linguístico, base para a elaboração de conceitos, tratamos também da questão de que pandemia na verdade é sindemia, e também uma breve análise sobre Cuba. Mas esse texto atual abrirá uma nova etapa em nosso blog informativo na medida que o conteúdo aqui irá definir a orientação de nossa página publicativa e o esqueleto intelectual de condicionamento ao mesmo.
Antes de tratarmos sobre a privatização em si temos que ter em mente o que é Capital e o que é sócio-cognição para entendermos o porque existe um projeto de privatizações e os fundamentos de sua defesa.
Capital, e os quatro livros da obra prima de Marx expõe em detalhes minuciosos e explicam, que esse conceito objetivo é dotado da abstração total inerente as relações produtivas das sociedades ascentuada na propriedade privada desses meios produtivos na qual por ela uma lógica infinita de acumulação crescente se objetiva pelas forças produtivas, lucro, juros, mercadorias, dinheiro e afins, esses elementos agregados em rede por relações sociais produtivas condicionados pela propriedade privada desses meios processam uma acumulação infinita desses elementos de forma initerrupta por esses meios. Isso é o Capital e ele é uma força globalizante de infinita acumulação desses elementos pelas relações produtivas das sociedades em questão.
O Capital justifica o capitalismo enquanto sistema de produção política-econômica das sociedades. E o capitalismo historicamente possui três fases de seu condicionamento. Mercantil, industrial e financeiro, esses três condicionamentos abrem espaço para três processamentos ideológicos/políticos que em hegemônia, acompanharam o movimento de acumulação do Capital. Liberalismo clássico, Social democracia Kaynesianista e Neo-liberalismo, muito recorrente aos escritos marginalistas e da escola Austríaca.
Para entendermos como as ideologias se manifestam e se fundamentam aqui vale, embora o que o filósofo e deputado do Partido comunista italiano Antônio Gramsci expõe sobre os condicionamentos de estruturas e super estruturas de modo a condicionar hegemônia cultural as classes dominantes, só isso não basta para compreender o que é sócio-cognição e é ela o que fundamenta a manifestação moral, cultura e as ideologias manifestantes em hegemônia das sociedades.
Embora qualquer conclusão normativa que possa ser desenvolvida nesse processo, qualquer que seja tal conclusão, ela tem premissa naquilo que chamo de sócio-cognição.
Sócio-cognição é um conceituamento por mim desenvolvido para compreender a forma do comportamento humano envolto por complexas redes comunicativas de interpretação e interação inerentes ao que objetivamos e regeitamos em rede pela ação-reação em detrimento dessas estruturas consolidadas historicamente que manifestam super-estruturas de senso para atuação prática, assim consolidando crenças, culturas, ordens morais e ideologias.
Combater as ideologias que já se hegemonizam historicamente em nossas sociedades exige um grau de tempo e expressividade dado ao fato de seus graus de dificuldades por se tratarem de sócio-cognições e elas existem de modo a determinarem o comportamento humano em rede, portanto, nos aprisionam em rede por intermédio do comportamento interativo que se condiciona, tal como as próprias contradições inerentes ao capitalismo na qual se verifica a tendência de nós aprisionar em relações de estilo de vida.
Mas isso não significa que esses condicionamentos não possam ser superados.
Bem, explicado então as definições de conceitos de o que é capital e o que é sócio-cognição já objetivamos uma base interpretativa de porque existe a muito tempo um projeto de continua privatização de nossas fontes próprias de riquezas e distribuição e sua consistência.
Se então a privatização é parte do pacote de programas do mercado financeiro, de modo a consistencializar ações nas bolsas e derivativos implementados por pacotes que podem ser convertidos a uma série de programas virtuais que visem um rápido fluxo de ativos em todos os mercados presentes de modo a consistencializar no mercado improdutivo a acumulação do Capital , precisamos compreender no cerne, naquilo que nos afeta em contradições.
As Estatais, que atuam com diversas ramificações de atendimento como por exemplo os correios, a Eletrobrás, dentre outras, tem no contigenciamento do lucro, e do partilhamento de riquezas os chamados royates. O que seria isso ???
Os royates das estatais servem justamente como plataformas de tendências cooperativas de base para o desenvolvimento do Estado que deter essas Estatais, por exemplo, os Royates do petróleo são base consistente para o desenvolvimento da infraestrutura geo-política-econômica e de programas que movimentam um país e a manutenção base da vida de sua população. Com a privatização, esses royates deixam de existir, não fazerão mais parte do programa dessas corporações agora privadas, tendo toda a sua atividade voltada para o mercado, (especificamente o mercado financeiro) pela qual como são fontes essenciais de geração de riquezas não precisam abrir espaço a concorrências uma vez que, se tornando sociedades anônimas que lançam derivativos no mercado rentista secundarizando a produção, esses meios se condicionam como aparatos de aparelhamento para que o capital exerca sua acumulação interligando todos os setores produtivos sociais, e isso ocorre pelo fato do próprio capital em nossos tempos atuais hegemonizar sua acumulação no mercado financeiro, no chamado capital improdutivo.
Precisamos ressaltar que o capital centra sua acumulação no mercado financeiro, dado ao fato que a extração de mais-valia se tornou ineficiente na produção devido a maquinalização geral de todas as ramificações, dispersando os trabalhadores na sociedade, e sistematizando linhas de crédito.
E condicionando relações de trabalho em rede sem a necessidade direta da venda de força de trabalho, por uma subjetividade maquinica, processalizadas por algoritmos que podem se efetuar com base em perfis sintetizados em redes sociais como Whatsapp, Tweeter, o condicionamento de aplicativos de views como o Tic Tok, até a configuração de jogos eletrônicos expostos em rede, e recentemente a desenvoltura de cripto-ativos como alternativa processual de aplicações.
Gerando escassez de insumos físicos, pela desqualificação de qualquer estoque, e encarecendo os preços desses serviços, tal como o custo médio da conta de luz, água e os serviços de entrega que serão inasseciveis a boa parte da população para com que a consistência do volume de ações e derivativos no mercado financeiro sejam asseguradas.
Então a própria privatização acaba sendo um meio de precarizacão das relações de trabalho e um empobrecimento geral da população, e por vez, torna qualquer ação política, frente a esse programa Neo-liberal ineficiente para com a população em suas necessidades compartilhadas.
Independente do condicionamento de concorrências privadas, as contradições ascentuantes leva inexoravelmente a tendências de monopólios privados devido a todo o processo colocado aqui.
Através desse processo eu posso considerar a privatização como um roubo ??? E porque ???
Como já informamos sobre o processo analógico da financeirização por intermédio do rentismo e portanto as consequências contraditórias desse processo, gerando novos quadros de exploração pelas relações de trabalho sistematizadas em rede, desenvolvendo uma nova modalidade de mais-valia, e pela extração do produto do trabalho retido pela mutabilidade de algoritmos consistencializadas em plataformas e suas patentes na qual todas as garantias providas são desmontadas, desregulando o regime de vida dos homens, e processalizando uma tendência exponencial porém decrescente de lucro, e deixando claro aqui sobre a fundamentabilidade das estatais sobre operações de gerenciamento econômico-politico e estratégico podemos dizer que a privatização é uma forma de roubo ???
Pois bem... Primeiro precisamos entender que as estatais assumem funções estratégicas em detrimento do jogo de operações políticas e econômicas que podem se estabelecer em questão. Além de serem criadoras de riquezas (claro, são meios de produção) elas tem papel fundamental para o desenvolvimento do país, ou podem ser meios para exercer práticas privativas dependendo do acirramento das lutas de classes em questão.
São patrimônios de riqueza política-econômica para a comunidade em questão, portanto o jogo político e as correntes que se estabelecem exigem uma correspondência para a administração das mesmas.
Uma vez postos aqueles que politicamente administram a polis em detrimento das riquezas que a gerenciam, assumem a função política de administração dos meios de produção nacionais na qual caem também sobre esse quadro complementar administrativo, independentemente se os políticos em questão tem ou não pautas privatistas.
Ou seja... Independente de sua condição de classe, independente dos setores na qual o político preterido representa e corresponde em administração aos meios de produção preteridos, o político é posto lá para exercer resultados sobre a administração da polis, em todas as suas áreas de atuação e gerenciamento de vida. Se o político exerce programas de privatização, esse programa em si é uma forma de exonera-lo em suas responsabilidades cabíveis.
Uma forma de desresponsabilizar os políticos de suas funções como servidores públicos, postos para administrar a polis e resolver problemas inerentes a cidade. É uma forma de promover a vagabundagem entre os mesmos e estimular aquilo que a classe média tanto gosta de dizer... A corrupção.
Eu digo mais, a pauta da corrupção não é prerrogativa para a privatização, e tal argumento não se sustenta na medida em que se um meio de produção for estatal, correntes políticas existentes podem exigir melhor eficiência em sua atuação dependendo dos interesses de classes em questão, ao contrário dos meios de produção privados na qual essa eficiência nem se é exigida dependendo das tendências de momentos específicos.
(Eu falo por experiência própria... Trabalho em um setor de telemarketing na qual recebo milhares de reclamações sobre ineficiência de serviços inerentes a falha de sistemas inerentes a uma série de serviços relativos a iniciativa privada).
Na verdade se formos partir para uma visão geral da história... É a iniciativa privada que sempre estimula escândalos de corrupção... Veja o PT como exemplo.
Mas o ponto essencial dessa questão consiste no fato de que o político é posto em seu cargo para lidar com os interesses em questão e administrar a polis pelo condicionamento de suas riquezas, e não privatiza-las necessariamente, independente se os setores que sustentam e apóiam seu movimento e suas causas tenham isso como um fim.
Um exemplo que posso colocar é do personagem que colocarei o nome dele como John...
John tinha um criadouro de vacas e vendia leite por litro. Porém sua melhor vaca, a que produzia mais leite adoeceu, ele tinha contratado um capataz especialista para cuidar das vacas, a vaca enquanto doente começou a produzir despesas porém a vaca tinha probabilidades de recuperação, porém em um belo dia John se deparou com seu estábulo na qual tinha uma vaca a menos, a vaca que adoeceu não estava mais lá. O capataz havia vendido sua vaca doente por um preço amigável na qual poderia rachar tal dinheiro arrecadado com John.
John não gostou nada dessa notícia uma vez que ele investiu naquela vaca e estava pagando o tratamento da mesma, o capataz foi contratado para cuidar da vaca (essa era sua função) e não vende-la.
A vaca investida se tornou um investimento perdido e John perde capacidade produtiva para seu concorrente que tem uma vaca a mais, e independente de John tiver ou não capacidade de investir em mais uma vaca, até lá pela sua perca produtiva, ele deverá ser prejudicado pelos preços de mercado de leite promovidos pela sua concorrência.
E acima de tudo o próprio capataz, a partir desse fato perde sua capacidade de solicitar confiança para com seu ex-patrão, que no caso era John.
Uma vez que ele vê o perfil de seu capataz com fortes imprevisibilidades.
Assim o político privatista não pode solicitar confiança e nem credibilidade para com a comunidade na qual ele depende para vender sua força de trabalho como político.
Então a privatização acaba em termos normativos sendo uma ação imoral, porque ao invés das riquezas da comunidade serem administradas para a continuidade dessa comunidade. Suas fontes de riquezas são vendidas a entes privados independente se existirem setores que serão ou não beneficiados por intermédio dessa ação e nesse processo portanto uma ação ilegítima.
Então a própria privatização é sim uma forma de roubo na medida que o político, ao se exonerar das responsabilidades inerentes ele, por intermédio do capital usurpa tudo aquilo que produz riquezas e possibilita o gerenciamento da polis.
Privatização é uma forma não declarada de Roubo, mas não deixa de ser Roubo !!!
A Nossa Esquerda institucional coaduna com o Roubo.
Nossa esquerda atual é Neo-liberal, não está disposta a discutir os assuntos estruturais de nossa sociedade atual, desviam muitas vezes a centralidade do discurso para pautas Identitárias que além de serem proto-fascistas não inferem em nossas necessidades estruturais e condicionais, só um exemplo claro nesse processo eu posso dizer que esse projeto de usurpação sistêmica havia de início começado com o Collor, porém foi com o governo FHC que o projeto de privatizações tomou consistência.
A Vale é um exemplo e Mariana e Brumadinho são seus resultados, um vez que após um conglomerado produtivo ser privatizado, todas as relações produtivas são submetidas ao movimento consistencial de acumulação do capital, que por vez leva, pela mais-valia, inexoravelmente a financeirização de todos os setores, a precaridade das relações de trabalho e de promoção da vida de modo com que os quadros antigos jamais possam ser recuperados.
A Esquerda pequeno-burguesa por assim dizer, não quer outra coisa se não vender sua força de trabalho como político, por isso coaduna com projetos de privatizações para com que eles possam manter seus status político vendendo sua força de trabalho como tal e até recorrem a estímulos populistas.
Até apelam por discursos de tendências duvidosas argumentando que serviços disponíveis pela iniciativa privada são mais eficientes uma vez que, estabelecendo concorrências se haverá estímulos produtivos de modo com que serviços sejam mais eficientes e as mercadorias sejam mais baratas.
O que não se verifica até porque a história do capitalismo consiste sempre na contradição Capital-trabalho de modo que o próprio capital sempre contou com o mercado financeiro como aparato paleativo para investimentos de aplicação, desenvolvendo sistemas de créditos e boletos consignados, condicionados aos juros mais altos possíveis, mesmo no período de fortificação industrial.
Claro, houve um período histórico de barateamento geral das mercadorias de um capitalismo fordista com forte influência estatal de gerenciamento de programas públicos, instituindo uma classe média poderosa, principalmente nos Estados Unidos no pós guerra. Esse período histórico foi marcado pela forte influência de sindicatos em reinvindicações trabalhistas.
Uma administração econômica-politica da propriedade privada dos meios de produção.
Mas esse modelo de gerenciamento dentro do sistema de produção capitalista consumiu insumos o suficiente de modo a desregular o regime de constância acumulativa do capital, na qual por outro lado, se havia um exército industrial de reserva crescente (desempregados) pela robotização, e maquinalização de grande parte de todos os setores produtivos, jogando os trabalhadores para a sociedade.
Fazendo com que essa utópia capitalista social-democrata chegasse ao fim. Logo se verifica que o barateamento das mercadorias não é uma tendência do capitalismo, mesmo com o estabelecimento das concorrências, mas apenas uma variação histórica, seu encarecimento retroativo, uma consequência condicional, e a taxa média de lucro tende a diminuir progressivamente, e as contradições se ascentuam.
Me parece que nossa esquerda atual quer uma espécie de projeto nacional-desenvolvimentista de conciliação entre capital "industrial" e capital financeiro,em um pacto com os trabalhadores, sendo que todo o capital se financeirizou impossibilitando qualquer medida conciliatória sobre quadros Nacionalistas e nacionais-desenvolvimentistas.
A Estatização Resolveria nossa situação ???
Não. Por um motivo simples, não sabemos como os quadros produtivos serão desenvolvidos sobre administração privativa, mas a tendência que se verifica aponta que menor será a necessidade de força de trabalho humana condicional, e por intermédio desse processo tais quadros jamais voltarão aos seus estágios anteriores.
Mesmo as corporações ainda estatais, podem incorrer em precarizacão condicional das relações de trabalho, e nenhuma garantia consistencializada, devido, ou ao comando de oligopólios por intermédio de interesses diversos, ou indiretamente pelo próprio capital com base em mesclagem operacional com o mercado acionista.
Para com que garantias se consistencializem e por assim dizer, a vida possa ser assegurada, não basta apenas que meios de produção sejam estatizados, isso é apenas um passo.
A nacionalização dos meios de produção devem ser desenvolvidas com uma nova ordem de relações de produção que se efetivem de modo cooperativo e sistêmico.
Levando a publicização e a uma eventual coletivização desses meios, mencionando meios operacionais que absorvam informações sobre oferta, demanda e distribuição de modo a efetivizar a satisfação dos homens.
Assim levando em consideração que qualquer forma de privatização é um roubo não declarado, e que impossibilita a locomoção dos insumos entre os homens que se relacionam socialmente, para nossa esquerda institucional, aconselho, a entender um pouco mais sobre a fase atual do capitalismo, e abandonar a pauta Identitária qua ao não ser apenas de conotação fascista, afasta a população de seus interesses primordiais.
Reinaldo conceição da Silva
Financeirização/Privatização e Roubo/capitalismo/Identitárismo é fascista.


Comentários