Anarco-capitalismo, Uma utópia para Imbecis/Reinaldo conceição da Silva


Segundo épico: Capitalismo e corporativismo, marxistas sabem muito bem que não são a mesma coisa.



O desmantelamento de conceitos parece ser algo muito recorrente para quem defende correntes Libertárias a direita como o Anarco-capitalismo, vulgo ancapistão.

Boa parte deles argumentam que o regime pela qual vivemos não é de fato capitalismo, e sim "corporativismo", uma vez que o conceito correto do termo está ligado a formas de organizações sócio política-econômicas de agentes profissionais nas diversas funções tuteladas pelo Estado, sendo que isso está mais ligado a formas de governabilizar do que elementos que definem modelos de produção em si.

Uma síntese simples de como dicernir modos de produção, ou modelos de sociedade, estão embasados em seus fundamentos lógicos, a lógica como conceito está ligada as formas gerais de tudo o que se engloba em questão que por vez geram uma determinação objetiva fluente aos elementos gerais considerados.

Vamos citar um exemplo simples, se Roberto coloca a mão no fogo, é claro e óbvio que sua mão vai se queimar, e como consequência, o tecido que compõe sua mão irá, devido a essa interação reativa se desfigurar, a lógica se encontra nas considerações gerais de tudo aqui que está sendo colocado em questão para uma determinidade fluente a tudo isso . Portanto a lógica desse ato em relação ao todo considerado envolvido está pelo fato de que o ato leva a interatividades desses elementos considerados a gerarem dor como uma determinação fluente aos elementos considerados através do ato.

Portanto todo ato observavel, e portanto toda uma série de acontecimentos que são consideráveis em si produzem suas lógicas, por exemplo, na medida em que nosso tecido com o tempo vai perdendo massa muscular e células, nossos ossos vão se fundindo para manter sustentação em detrimento de sua fragilização condicional pela relação com infinitas interatividades que envolvem ambiente, gravidade, consumo e afins, a lógica considerável através desses elementos está no consequente envelhecimento do ser como uma determinidade fluente por intermédio da interatividades desses elementos.

Então, se a lógica está na determinação fluente a uma série de elementos gerais considerados, então portanto será essa determinação que por vez irá definir modelos de produção da vida humana em sociedade, em outras palavras, modelos de sociedade, um exemplo, a lógica do modo de produção primitiva está na subsistência, por intermédio do convívio comunal e domínio de regiões, (por mais que nesse interim algumas ramificações de povos possam ter desenvolvido uma cultura nômade).

O modo de produção escravista (a partir do domínio de povos e da escrita, por intermédio de uma organização política mais estruturada) detém uma lógica de subsistência através de um mercantilismo base em relações de produção através da detenção da propriedade privada de homens sob outros homens, o que é característica da escravidão, na figura de senhores patrícios e escravos. Sociedades assim podem, na história da humanidade ter tidos como exemplo, as sociedades Greco-Romanas. 
Nota: nessas sociedades ramificações de mercado começaram a se edificar, assim como as primeiras expressões monetárias, mas essas ramificações variantes dessas sociedades também eram asseguradas por uma lógica de subsistência, por intermédio de relações escravistas de produção.

Algumas Regiões da Ásia e em outras localidades também desenvolveram um sistema de produção próprios com suas características. O modo de produção asiático tem uma lógica de subsistência, asseguradas pelo domínio exclusivo do Estado em todas as funções, através de todo um arcabouço socio-cultural que muitas vezes elevava o status de seus regentes soberanos como divindades. Eram modelos estritamente teocráticos. O Regente político desses regimes de produção também detinham o poder religioso, e as relações de produção eram de subordinação servil entre seus regentes políticos e sacerdotes e os aldeões de vilas e cidadelas. Modelos de sociedade com essas características tem como exemplo o Antigo Egito, a Sociedade Persa, os antigos principados indianos, a China imperial, os Maias, Incas e Astecas e por aí vai.  

Já o modo de produção Feudal tem uma característica peculiar, a lógica do regime feudal era de servidão, assim assegurando relações de coerção direta sobre posses de terras e assim, os principados cediam terras aos que viriam a ser conhecidos como senhores feudais e estes cediam pactos vassálicos em critério de proteção absoluta e servidão, esse regime foi o que possuiu menor mobilidade humana, quem nascesse como vassalo, morreria exclusivamente como vassalo, e a este não era possível sair das terras sobre domínio feudal sem riscos de assaltos e extorções.
Como esse regime trabalhava sobre pesados impostos exercidos pelos senhores feudais e a produção era limitada as capacidades do ambiente, alimentadas a limitação de baixa intelectualidade das populações desse modo de produção, as castas vassálicas muitas vezes sofriam de fome (aglutinado ao aumento populacional), elementos que em processo levaram esse regime ao colapso, mas isso não é critério significativo de nosso texto.

O modo de produção atual que vivemos é o modo de produção capitalista, dentre todos os outros, este é, o que até o momento possui maior mobilidade humana, mas não deixa de obter suas contradições correntes, tais contradições são recorrentes a sua própria lógica. Tal lógica se consistencializa no processo corrente de universalização da forma mercadoria em todos os aspectos do gerenciamento da vida humana nessa sociedade, processalizando valores em fluxo, consistencialmente acumulados em tendência corrente na forma de capital. 
A lógica capitalista é uma lógica de continuo acúmulo de valores em fluxo sobre tendência infinita na forma de capital. É essa lógica que define o capitalismo enquanto sistema de produção, assim como a lógica servil definia o Feudalismo e assim por diante como demonstramos nessa análise.

Mas as definições dos sistemas de produção estão embasadas em suas lógicas em relação a seu percurso histórico, mas dentro desse percurso, há diversas formas de governabilizar politicamente esses sistemas de produção de acordo com necessidades subjetivas que aparecem em consideração, necessidades de apadrinhamento político, interesses em conflito e identidade e assim por diante sem alterar a lógica desse sistema de produção. É a partir daqui que a fórmula corporativista aparece, corporativismo e capitalismo como exemplo podem se mesclar mas não são a mesma coisa.
Como qualquer sistema de produção a partir da escrita precisa da junção política-economia para a sua existência e os Libertários a Direita são jus-naturalistas portanto negam a política, para eles quem distoa de suas estruturas de compreensão no quesito o que é capitalismo como exemplo, já logo atacam com retóricas argumentando que os seus negadores confundem capitalismo com corporativismo, eles dizem que achamos que capitalismo e corporativismo são a mesma coisa, o que não é verdade, sabemos muito bem que capitalismo e corporativismo partem de conceitos distintos, na verdade essa confusão vem por parte deles mesmos uma vez que eles se guiam por mero idealismo jus-naturalista.

Bem, como vimos cada modo de produção da vida humana em sociedade é definido por sua lógica que o caracteriza. Mas antes de prosseguirmos ao próximo tópico, e para que não haja confusões conceituais no decorrer do texto, vale ressaltar uma breve distinção orientativa que vai guiar esse texto ao seu objetivo fundamental, temos que dicernir o que é modo de produção e corporativismo e como dito vai ser esse o ponto focal de orientação do texto.


Modo de produção = sistema organizacional de produção da vida humana em sociedade, sua existência se deve pela junção da economia (que engloba a completude dos elementos de satisfação material de necessidades e objetivos humanos) e política, que fornece as diretrizes gerais para sua institucionalidade. O processo de sua existência se deve pela co-relação das forças produtivas (conceito ligado a aplicabilidade do uso da natureza com fins produtivos) e das relações de produção (que engloba o processo de desenvolvimento de funcionalidades e laços e que por vez orientam a divisão do trabalho). Por exemplo, se existem capitalistas é porque em algum momento da história humana, houve aqueles que no passado foram expropriados de seus meios de produção, e seus descendentes começaram a precisar vender sua força de trabalho para viver.

O destaque em vermelho sinaliza processos baseados em relações que orientaram a divisão do trabalho, e também faz parte do desenvolvimento das relações de produção.

Corporativismo = Doutrina e proposição prática que propõe o agrupamento de corporações e entidades ligadas a civis ou não tuteladas e monopolizadas por intermédio do estado com finalidade de viabilizar governabilidades.
Em suma, não se define modos de produção aqui, o corporativismo enquanto conceito está ligado a junção de agrupamentos com o objetivo de governabilizar, tal conceito está ligado a questão fisiológica de que (as funções de órgãos e tecidos em conjunto viabilizam a vida é a condução do corpo).

A questão é que os nossos amáveis ancaps não entendem que o corporativismo não define modos de produção, uma vez que sua lógica não é considerada, mas o corporativismo em si é, enquanto conceito, um elemento que define governabilidades sem necessariamente alterar a lógica dos modos de produção já postos em questão. A essência corporativista é meramente governabilistica. Assim como os partidos políticos como exemplo, desenvolvem meios corporativistas de construírem suas alianças como exemplo.  Somente um Anarco-capitalista, tosco (a tosquice é a essência Libertária a Direita) é besta o bastante para acusarem seus negadores de confundem capitalismo com corporativismo sendo que eles próprios entendem capitalismo como "trocas voluntárias" (esse blog já possui um texto sobre o tema, acompanhe : Anarco-capitalismo, Uma utopia para imbecis -  falácia das trocas voluntárias) sendo que as trocas em si também não definem modos de produção, tal confusão no entendimento do ancap quando defrontado com a questão do que seria um modo de produção vem necessariamente de sua visão idealista de conotação jus-naturalista.





* Observações


Ao contra-argumentar retóricamente, o Libertário-Austriaco cai na velha ladainha de dizer que um sistema de produção só se realiza economicamente por condição de trocas, sendo que ao considerar todo tipo de relação econômica como um ato voluntário, ele acaba por negligênciar subjetividades relativos aos interesses exclusivamente individuais (que vão além da mera compreensão econômica) dentro do processo meramente econômico que, pela qual nunca são voluntárias.

As trocas em sua natureza são o completo oposto de qualquer ato baseado na pura arbritariedade e espontaneidade individual, mesmo que aparentam ser, uma vez que elas só se realizam através de considerações e circunstâncias que se sobrepõe a qualquer narcsizidade individual.

Como a essência Libertária-austriaca remonta ao Jus-naturalismo, se remonta também a ideia de que o direito é natural e a partir dessa condição a liberdade humana individual é garantida e legitimada pela propriedade privada, que através da Ética pode ser reconhecida, e a partir daí se tem a comensuração do corpo como um recurso e sua natural condição de "propriedade privada".
Elementos reconhecidos e legitimados pela "Ética".

Assim a Ética seria naturalmente Libertária no sentido Libertário-Austriaco, mas há um problema nessa comensuração.

A ética, essencialmente é a parte da filosofia que investiga o comportamento humano em relação aos parâmetros estabelecidos de certo ou errado, verdadeiro ou falso, portanto ela é o princípio teórico da moral, a ética (diferentemente da moral não se manifesta através da aquisição de juízos de valores e nem é necessariamente oriunda deles) mas sim da investigação do comportamento humano através dos parâmetros de dicernimento do que é certo ou não através também do verdadeiro ou falso. A ética é inerente aos seres humanos, portanto atemporal.
Portanto ela realmente acaba sendo um elemento de legitimidade da Propriedade Privada se ela é algo necessariamente certa.

Vamos citar um exemplo: se a propriedade privada foi condicionada de modo efetivo e há toda uma jurisprudência que define sua defesa, então a atitude de defende-la é eticamente correta.

Porém se a prática da propriedade privada (propriedade privada ou coletiva sempre são uma institucionalidade prática e nunca teórica) proporcionam sofrimento e exploração aos homens, a sobreposição de uns em detrimento das necessidades de outrem, a condição de deterioração e precarização da vida de outrem, então moralmente, a propriedade privada, nesses aspectos, ganha uma conotação negativa.

Até porque qualquer prática de nocividade e de prejuízo a uns em relação a sobreposição de outros é sempre entendida como uma prática imoral, na medida em que a moralidade envolve juízos de valor. E a moral enquanto conceito está sempre ligada as normas de valores de tudo o que pode ser entendido como bom ou mal e que envolve construções culturais, estabelecidas socialmente.

Mas no entanto, a defesa da propriedade privada sobre o entendimento Libertário-austriaco vulgo Anarco-capitalista é uma defesa não ética, ora, se a ética investiga o comportamento humano através dos parâmetros de verdadeiro ou falso, de certo ou errado, então por tanto, a conduta ética não vai definir e nem delimitar propriedades coletivas ou privadas, a conduta provida eticamente só irá legitima-las. Lembramos que o conceito de legitimidade está na condição justificativa/valorativa, provida pela Razão. A Razão portanto, enquanto conceito envolve a completude de conhecimentos em relação as capacidades de raciocínio e ponderação que levam a induções e orientam a prática.

Mas observem, não há justificativas para a defesa da propriedade privada sobre orientação Libertária-austriaca, justamente devido a questão de que a ideia de que a propriedade privada seria um "direito natural" do homem não se mostra ser suficiente para sua efetivação, portanto, ela própria não seria elemento de certificação. Se o verdadeiro e falso, o certo ou o errado não podem ser comensurados, não se há parâmetros de investigação em relação ao comportamento humano, e portanto a Ética enquanto conceito não pode se instituir.

E Mais... Pelo fato da "Ética" de conotação Libertária-austriaca não ser justificável justamente pelo seu caráter idealista de orientação jus-naturalista é que sua defesa não pode ser valorativa, portanto ela cai na ilegitimidade.

Assim, quebramos a espinha dorsal da Ética Argumentativa Hoppeana, em relação a "auto propriedade" por mais que possamos usar o corpo como um "recurso escasso"(termo extritamente genérico tal como o termo abundância) tema que planejo trabalhar em minhas próximas publicações, não há justificativas para entende-lo como propriedade privada, até porque não há parâmetros justa-postos a essa finalidade.
Até porque não há essa necessidade, o corpo é uma extensão física da existência do ser.
Até porque vale, aquela velha piada de conotação jus-naturalista: se o corpo é uma propriedade privada do indivíduo e a propriedade privada está no direito de uso exclusivo de algo e você precisa amputar uma perna e ela precisa ser descartada de alguma forma, independente das suas vontades e interesses sobre aquela perna, logo você perde suas credenciais de propriedade sobre aquela perna ???
Se você perde capacidade de argumentar você perde direito "natural" de propriedade sobre seu próprio corpo ???

A Ética Argumentativa Hoppeana como exemplo não pode cair na guilhotina de Hume uma vez que sua "ética" não é derivada da natureza das coisas mas sim da capacidade argumentativa, não caindo na dicotomia de que você não pode extrair uma conclusão normativa de dever ser da descritividade exclusivamente empírica do ser, embora ambas possam estar relacionadas.

Porém a ética argumentativa Hoppeana acaba se demonstrando uma total falácia na medida em que a própria argumentação em si não é suficiente pala legitimar a propriedade privada através daquilo que dicernimos como certo e errado, verdadeiro ou falso, elementos pelas quais através da ética conseguimos entender a condução do comportamento humano.
Por tanto, a ética argumentativa Hoppeana é na verdade uma anti-ética, justamente para contornar a falácia naturalista de hume com o objetivo de tentar justificar algo infundável com o objetivo de dar coro jus-naturalista.

E ao contrário do que muitos ancaps afirmam, ao negar a "Ética" argumentativa Hoppeana, não caímos em contradição performativa. Para quem não sabe o que é isso, contradição performativa se verifica na condição em que o ato de proferir um enunciado já por si só inválida o conteúdo enunciado em questão, como exemplo: Eu Reinaldo não consigo escrever, mas estou escrevendo, o ato de proferir conteúdo já negligência em si o conteúdo proferido. 

O que está sendo enunciado aqui é que somos capazes de argumentar, mas a argumentação em si não justifica propriedade privada, justamente porque, naturalmente a argumentação em si não tem relação intrínseca com a propriedade privada elaborada, uma vez que a argumentação em si não pode nivelar base de investigação do comportamento humano através da instituição ética.  Não há contradição aqui. Se houvesse, alguém incapacitado fisicamente e/ou intelectualmente teria perdido algo que ninguém nunca teve, o direito exclusivo de uso do próprio corpo.

Mais uma vez a corrente Libertária-Austriaca se mostra como um meio ilegítimo de defesa daquilo mesmo que eles próprios colocam na condição da sacro-santo, a Propriedade Privada.

Enfim, deixado exposto essas observações, acredito já ter condicionado uma boa elucidação do tamanho de bobagada que essa gente defende de modo ilegítimo, pensando ser ético mas não é, não esperaria outra reação dessa gente ao afirmarem que seus opositores confundem capitalismo com corporativismo, sendo que um, sendo um sistema de produção, sua essência se define pela sua lógica e o outro é subjetivo a meros objetivos governabilisticos e que facilmente se acoplam a seus respectivos modos de produção em questão.

Confundem, porque qualquer sistema de produção estabelecido a partir da escrita só se efetiva política-economicamente. 
Pelo fato deles como já afirmado nesse texto terem deficiência cognitiva programada por ideologia e não entenderem o que é um modo de produção, acabam achando que para quem não é Libertário a Direita capitalismo e corporativismo são a mesma coisa, entendimento que tive o maior prazer deste mundo em desconstruir aqui em nosso blog.


Terceiro épico para o próximo texto: O princípio de Não Agressão é realmente válido ???


Espero que tenham gostado desse texto reflexivo, peço desculpas pela minha ausência, devido a afazeres particulares tive que me ausentar temporariamente desse blog, mas agora abri plataforma para comentários, compartilhem e ajudem nosso blog a crescer e a ser formador de conteúdo em prol de uma concepção mais a esquerda das coisas !!!






Bases para estudos: 



https://www.significados.com.br/etica

https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/o-que-e-etica-resenha-/

https://educacao.uol.com.br/faq/o-que-e-etica-veja-os-diferentes-tipos-e-como-aplicar-no-dia-a-dia.htm


https://www.direitosemjuridiques.com/a-etica-argumentativa-de-hans-hermann-hoppe/#:~:text=A%20%C3%A9tica%20hoppeana%20n%C3%A3o%20cai,ser%20aluno%20de%20Murray%20Rothbard. 

https://metaeticasite.wordpress.com/2017/03/09/guilhotina-de-hume/




Capitalismo/corporativismo/faláciadaeticaargumentativa/davidhumeguilhotina.





Reinaldo conceição da Silva 








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