Anarco-capitalismo, Uma utópia para Imbecis/Reinaldo conceição da Silva.

 


Primeiro épico : falácia das trocas voluntárias


Quando conversamos com alguém que tem afinidade com movimentos de direita já sabemos que esse alguém geralmente é mal caráter, imbecil ou ressentido de alguma forma, ou possui interesses exclusivamente econômicos-ideologicos. Não estou negando que há sujeitos assim em ramificações de "esquerda" (os Identitarios) mas eles serão tema para talvez próximos textos que poderei produzir.

Mas a Direita por ser sempre o espectro político-sociologico, cultural e economicamente dominante não pode produzir bons intelectuais uma vez que a filosofia é sempre radical e crítica, ela é o elemento de construção de narrativas de modo a nos compreendermos pelo saber.

E por essa simples condição, a direita não pode ser o campo original da crítica. Nunca foi, embora isso não a impessa de fazê-la em momentos oportunos, portanto, as respectivas classes em luta computam organicamente seus intelectuais de acordo com as projeções de vida dos integrantes em manifestações desses setores, pelo condicionamento dialético envolvendo as relações entre as classes em constante conflito.

O movimento "libertário" de direita (explicarei do do porque considero esse movimento sendo de direita mesmo os próprios pretendendo negar a política ao final dessa série de textos), é relativamente novo comparado com as correntes liberais clássicas, e até o próprio marxismo, mas já se faz influente com uma certa garotada do que consideramos ser a classe média atual cujo seu objetivo é por vez instituir uma sociedade "Anarco-capitalista".

Onde nessa utópia de conotação idealista, os homens podem se associar livremente baseando-se em uma ética argumentativa apriori, e que pelo detrimento de um PNA , princípio de não agressão a propriedade privada seria uma efetividade ética inviolável, dado a base de que os recursos são escassos por essência e que por vez qualquer forma de intervenção a esse princípio, poderia-se em recorrer em legitima defesa, na medida em que qualquer processo de intervenção a propriedade privada, será eticamente um ataque as liberdades individuais pela lógica Libertária de direita. Por isso, considerando o Estado como um organismo agressor por essência uma vez que ele é uma institucionalidade essencialmente coletiva, e sua existência imputa em um "parasitismo" sistemático tendo seu mecanismo de sustentabilidade (o imposto) como uma forma de roubo. E por vez sendo o capitalismo um processo de manifestação das liberdades individuais baseados em "trocas voluntárias".

Então basicamente a ideia estúpida consiste em manter o capitalismo em sua livre concorrência sem o estado como meio interventor.

O capitalismo é um sistema de produção e gerenciamento da vida em sociedade, portanto como qualquer outro modo de produção social, só pode se institucionalizar econômica-políticamente. As bestas de preto e amarelo não vão entender isso, uma vez que o Estado é parte da manifestação desse modo de produção.

Portanto vamos utilizar métodos bem específicos para refutar esses infantis e até utilizarei um modelo de lógica em próximos textos para esse objetivo. 

Mas agora vamos nos ater a desmontar aquilo que eles dizem ser a base do capitalismo para eles, as trocas voluntárias.

Antes de tudo precisamos entender a fundamentabilidade dos elementos que devemos considerar para configurar atos (ações) como voluntárias ou não.

O movimento é o simples deslocamento espacial dos objetos em questão.

Já a ação se coloca como a efetividade objetiva da prática conciente.

Mas o que é o voluntarismo ??? O Voluntarismo está em tipos específicos de atos em essência individual pela livre iniciativa, efetiva pela espontaneidade do indivíduo de modo arbritário.

Espontaneidade = Exclusiva do indivíduo em configuração por exelencia.

Arbritária = essencialmente feita em motivo de vontade exclusiva.

Nessa primeira conclusão, podemos entender que, para que um ato seja voluntário, esse ato deve ser essencialmente individual em sua condição, e o ato está no domínio exclusivo,  soberano da vontade humana enquanto vontade do indivíduo.

Então o ato está no domínio exclusivo dos estímulos humanos enquanto estímulos do indivíduo, porém nem todo estímulo é base para atos voluntários, os nossos estímulos (essencialmente piscologicos) são essencialmente complexos, porém quanto maior é seu grau de consideração precisa em gravidade, menor é a tendência de efetividade em atos voluntários. Portanto consideremos não as sensações emocionais (elas são formas de menifestação pisquicas) mas sim os estimulos como meio de alimentação a efetividade de atos.

Os estímulos são essencialmente subjetivos, alegria, tristeza, paixão, fúria, fome, inveja, atração, gostos, confiança e afins, se formos deduzi-los em suas características únicas, mas para que eles sejam alimentos para impulsionar atos, vamos engloba-las em três polos precisos de neuro-estímulos, vamos chama-los de estímulos gerais que caem em três polos gerais como motores impulsionadores da ação prática, os desejos, as vontades e as necessidades, lembrando que quanto maior é seu grau de consideração precisa, menor a probabilidade de atos voluntários.

Desejos = estímulos baseados na projeção de prazeres essencialmente, pelos sonhos e gostos, sem propensão negativa.

Vontades = estímulos baseados na conexão neuro-ativa para propensão prática, com propensão negativa considerável porém moderada.

Necessidades = Estímulos baseados em considerações de precisão absoluta. Sua satisfação prática é indispensável, propensão negativa relativamente elevada e subjetiva a condições, considerada sobre constância.

Vejam que o último polo geral de estímulos tem uma linha de considerações precisas em gravidade mais elevada que os dois primeiros, logo os estimulos baseados em necessidades tem menores ou nenhuma tendencia de efetivar atos voluntários.

Então, para que uma ação seja voluntária, ela deve ser uma ação essencialmente individual, se apresentando como espontânea e arbritária. O ato da troca não possibilita isso pelo fato do ato de troca ser um ato dialético e não essencialmente do ego.

O ato da troca, embora nivele estímulos pelas relações que se desenvolvem em processo, tal ato não tem em essência a pessoalidade de nossos estímulos em si.

A essência do ato da troca está na Dialética interpessoal uma vez que o ato de troca é essencialmente um ato de substituição, e isso não envolve apenas relações materiais mas estas, englobam relações do espírito.

A troca só se efetiva como ato na medida em que equivalências são niveladas por relações de modo com que a ação dos indivíduos envolvidos em questão sejam conduzidas por esse processo envolto por essas relações de modo com que a ação de troca se efetive. Então a efetividade do ato em si não tem nada haver com a pessoalidade dos estímulos colocados em questão, portanto os indivíduos envolvidos não podem efetivar o ato pela pessoalidade exclusiva de seus estímulos, portanto o ato não pode ser configurado arbitrariame, e acrescentando aqui, o ato não pode ser espontâneo uma vez que o ato não é individual e sim dialético.

Então não há base lógica para configurar o ato de troca como voluntário, em resumo, não existem trocas voluntárias.

Os libertários a direita, os chamados ancaps (diga-se de passagem, são correntes ultra neo-liberais ligadas a escola Austríaca) confundem o ato da troca pelo ato por iniciativa, embora um indivíduo possa ter escolhido por conta própria efetivar uma troca, isso não diz respeito ao ato da troca em si. Se considerarmos uma ação voluntária como sendo uma ação essencialmente individual.

Lembrando que uma ação por iniciativa também pode não ser voluntária se considerarmos os três polos gerais de estímulos que sintetizamos em nosso texto envolto por circunstâncias.

Vamos sintetizar um exemplo, vamos supor que A faça uma troca com B = A-B.

O A tem que dispensar algo para B, de modo com que B forneça o que A precisa. O fornecimento por B não pode se efetivar se A não concluir a transição exigida por B.

O personagem A não pode tomar uma decisão espontânea e arbritária dentro desse quadro, portanto não pode se voluntariar a fornecer outra coisa em ato fora o que foi decidido por B, e o B não pode, (mesmo que ele queira) fornecer o produto sem antes da conclusão da transação que A precisa fazer.  E mesmo que faça, por intermédio de acordos livres, suas diretizes devem se cumprir e B não pode ficar de mão atadas se A não cumprir sua parte do acordo. 

B terá que tomar medidas de coação e cerciamento para que A cumpra sua parte do acordo. Lembrando que nessa historinha o personagem A tomou a iniciativa de realizar essa troca. Mesmo assim vocês puderam ver que a manifestação do ato não se deu por voluntariedades. Pela arbritariedade de atos essencialmente individuais, como que os atos de troca se efetivam por voluntariedades ??? Simples, não há.

Não existem trocas voluntárias, a lógica Libertária de direita está grosseiramente errada. E mesmo nesse caso se por exemplo o personagem B tome uma iniciativa voluntária de aceitar uma "barganha" voluntariamente sujestionada por A, (e aqui estamos no campo do ato por iniciativa), isso também não diz respeito ao ato de troca em si, porque no ato da troca, as equivalências já niveladas devem se cumprir circustancialmente independentemente da pessoalidade de nossos estímulos.

Argumentar que as trocas são voluntárias em si só por não haver coação direta já é um erro grosseiro que deturpa o conceito originalmente desenvolvido para atividades específicas que não a troca, como a filantropia, o comunitárismo, o consumo individual e as paixões, e dizer que isso é o capitalismo por essência é cair em engodo uma vez que o capitalismo precisa do componente político para se efetivar em praxis.

As trocas tal como a própria comunicação são atos compulsórios por exelencia uma vez que estes são formas diretas de manifestação de nossas relações, tal como as trocas são uma constante desde que o homem é homem, muito antes desse modo de produção que chamamos de capitalista. Se fosse do jeito que os Anarco-capitalistas imbecis consideram as coisas, feudalismo também era capitalismo, até porque relações de vassalagem também são formas de trocas em pactos, sobre relações de espírito e materiais.


Segundo épico para o próximo texto : Capitalismo e corporativismo, marxistas sabem muito bem que não são a mesma coisa !!!





Meus caros leitores, peço desculpas pela demora, o blog ainda está no início, e durante esse final de ano recente me mantive ocupado. Era para esse primeiro texto dessa série sobre a corrente Anarco-capitalista estar pronta na semana passada, mas devido a imprevistos só pude termina-lo hoje, estou disponível para sujestão a próximos temas em meu PV no Zap até que eu monte uma plataforma de opiniões aqui. Agradeço a compreensão.



Indicações para estudos !!!


[1] Lukács – Para Uma Ontologia do Ser Social


[2] Chasin – Método Dialético 


[3] Mészáros – Para Além do Capital


[4] Karl Marx – Manuscritos Econômico-Filosóficos








Reinaldo conceição da Silva.








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Guerra Declarada !!! Disputa de controle por Mercados

Anarco-capitalismo, Uma utópia para Imbecis/Reinaldo conceição da Silva