Sindemia e Luta de Classes/Reinaldo conceição da Silva
Doenças são políticas e não naturais.
A Ciranda não quer mudar !!!
Nesse novo blog, quero esboçar algumas questões que nos levam a ter uma visão ampla de nosso quadro atual. Entender que na modernidade toda e qualquer crise sanitária é fruto direto da arquitetura política-econômica das cidades é crucial para compreender como tais crises sanitárias, ou seja, doenças de transmitibilidade e circunstânciais nascem e se manifestam.
Para os que não conhecem meus escritos, trabalho com o conceito de biopolítica produzida por Michel Foucout que entende que toda e qualquer manifestação política e estrutural das cidades centra seus esforços na promoção da vida biológica.
Todos os índices de natalidade, mortalidade, sofisticação da produção e a manifestação de nossas relações de trabalho postas em rede, a desenvoltura do aprendizado base nas escolas, a manifestação farmacêutica, contigentes de zooneamento de esgoto, transporte, o nivelamento das relações dialéticas que se estabelecem possuem em sua centralidade a promoção biológica da vida.
A política... Ou seja... As relações sociais das cidades/Estados não possuem em sua essência mais nenhum centralismo moral.
Dito isso precisamos, não apenas compreender a essência da relações sociais de vida e produção, na qual se mesclam, na qual fazem da natureza das coisas, parte da natureza dos homens, e a natureza dos homens se universaliza em todas as coisas, mas também a desenvoltura física-intelectual dessas relações, processadas historicamente de modo com que lógicas de produção sejam consistencializadas.
Entender o Marx nesse ponto e defendo aqui, mesclada ao conceito foucoutinano de Biopolítica é fundamental. Entender que as relações de produção que consistencializam a vida dos homens e regulam os corpos para sua promoção biológica, o faz em detrimento de uma lógica que estabelece dialéticas que verificam um ascentamento consistencial, sistêmico das contradições inerentes ao modo capitalista de produção.
Ora... Se nosso capitalismo em sua face atual, secundariza a produção de modo com que a acumulação exponencial do capital certifique sua constância no mercado financeiro, logicamente compreenderemos o desejo do capital em extinguir a antiga fórmula básica de conversão de dinheiro em capital em hegemônia, D-M-D ou seja... Dinheiro - mercadoria - Dinheiro em D-D, Dinheiro-Dinheiro, que através de um nivelamento tecnológico consistencial, formas de investimentos virtualizadas, sejam instituidas pela financeirização de todos os setores, secundarizado a produção. Claro... Os cripto-ativos vem sendo processalizados através desse regimento articulado, enrredado historicamente, na qual todos nós fazemos parte dessa trama.
Mas por ora não direcionarei esse texto a essas especificidades, a ideia dessa explanação e prover ao caro leitor uma compreensão consistente do quadro na qual o modo de produção capitalista se encontra em sua última fase, de modo a fazer com que esse texto possa processar entendimento de que com a financeirização geral de todos os setores das atividades humanas e pela impossibilidade do capital ainda processar uma constância acumulativa expansionista na produção empresarial/fabril, pelo nivelamento robotizante da produção, de modo com que a mais-valia relativa extendesse sua porpocionalidade ao seu máximo, e os operários se dispersam na sociedade pelo agregamento conjunto dessas circunstânciais, estimularam o capital a migrar para onde ele pode acumular, ou seja... No rentismo e no mercado financeiro.
Se o capital centra agora sua acumulação exponencial naquilo que Marx chama de capital fictício, e a produção se secundariza de modo com que a produção se desconsistencialize como parte de essência duradoura da acumulação, então qualquer garantia consistencial processada pelas relações de trabalho baseadas em públicos de consumo direto se desfaz. Sabemos que o Capital exerce suas contradições através da extração de mais-valia enrredada por essa lógica.
Temos três modelos de mais-valia,e para esse três modelos se há uma precarização do trabalho sistêmica ao modelo de mais-valia em questão:
Mais-valia Absoluta = Consiste no aumento da jornada de trabalho para além do necessário a manutenção dos nossos meios de subsistência.
Risco de precarização recorrente = um desgaste consistente das relações de trabalho, e uma fragilização (por tempo e espaço) da força de trabalho empregada.
Mais-valia Relativa= Consiste na Jornada de trabalho dada, a mais-valia aumenta ou diminui porpocionalmente ao aumento ou diminuição da intensidade e força produtiva pela sofisticação tecnológica, maquinária.
Risco de precarização recorrente = a intensidade do trabalho e o aumento desmedido da produtividade, levam a uma potencial aceleração ou diminuição do desgaste das forças de trabalho empregadas,(física, psicológica e condicional) e uma desporpicionalidade mecânica as relações de produção entre os homens, de modo com que o ambiente de trabalho se torne precário ao ponto de acidentes mortais serem registrados com frequência. O ambiente de trabalho se tonrna uma armadilha, e se os motivos de mortes não forem relativos aos acidentes, sequelas permanentes e doenças são consistencializadas por esses elementos.
Mais-valia Social ou Universal= Consiste na produção universal da sociedade, baseada em um saber tecno-cognitivo médio socialmente difuso da produção em sua totalidade pelos afazeres comuns, de modo a consumirmos o que produzimos sem jornada de trabalho até porque o trabalho é dado por 24 horas diárias initerruptas, trabalho e lazer nesse aspecto são fundidos.
Risco de precarização recorrente= esse modelo específico de mais-valia não fornece aporte e nenhuma garantia ao condicionamento de vida dos homens, sua essenciabilidade é difusa é especulativa ao mesmo tempo. De modo a não garantir nada para o condicionamento material da vida dos homens.
Porém o saber médio da sociedade se eleva aos mecanismos de produção agora socialmente dispersos, embora ainda instituidos como propriedade privada.
Como bem condicionei aqui,a precarização das relações de trabalho são instituidas pela mais-valia processada pela lógica recorrente de acumulação exponencial do capital, e como o capital centra sua acumulação no mercado financeiro, agregada a dispersão dos trabalhadores na sociedade, e o último modelo de mais-valia se torna por vez hegemônico, podemos historicamente verificar um processamento migratório de massas populares (agregadas a especulação imobiliária), a invasão a mananciais e áreas de florestas adentrando em ambientes até então inexporados, e nossas relações de produção acabam por entrar em contato com componentes biológicos processados, que se mutabilizam em hadaptabilidade as nossas relações de modo a confecçionar novas crises sanitárias, doenças, e sua manifestação fisio-biológica se dá por essência política.
Então aqui compreendermos de modo contundente o conceito de sindemias, e como elas se tornam um fator recorrente as contradições imanentes ao nosso modo atual de produção e suas compressões políticas-econômicas/sociais.
Para quem não compreende, sindemia é o conceito estabelecido ao nascimento e manifestação condicional de doenças (crises sanitárias) em estímulos processuais em uma série de elementos postos em rede pelas relações sociais-políticas, culturais e econômicas postas em uma grande teia constante de relações. Sinergia, tem haver com o movimento das relações postas em rede, pandemia, é relativo a doenças (crises sanitárias) que alcançam espaçamento mundial. E como as doenças como objetivei aqui, nascem e se manifestam essencialmente de forma política, as crises sanitárias se manifestaram e manifestarão em detrimento da situação estrutural envolta as lutas de classes em questão.
O Brasil já ultrapassou a marca dos 500 mil mortos pela Covid-19 como exemplo, esse contigente de cadáveres já ocuparia várias grandes metrópoles do mundo como exemplo.
Mas aqui, o negacionismo foi acoplado a uma política de austeridade fiscal, arregimentadas com setores farmacêuticos ligados a esse contigenciamento, engendrados em um planejamento estrutural que obviamente privilegia uma classe dominante em detrimento da outra. As mortes são políticas, não existe aleatoriedade nesse processo.
Um plano eugenista foi instituido... Mas não uma Necro-politica !!!
Até porque, todo método de projeção política aqui apontada, prevê a regulamentação dos corpos para com que a vida biológica seja promovida, mesmo em termos de uma imunidade de rebanho que se mostra ineficaz cientificamente.
Os trabalhadores foram empurrados pela necessidade e os capitalistas pela acumulação, mas ambas as classes, na sociedade lutam para com que os corpos se regulem para a promoção biológica da vida, o que nos resta a saber e como essa regulamentação é feita e em detrimento de uma luta por poder em detrimento das lutas dialéticas estabelecidas pelas estruturas em questão.
Nossa esquerda liberal, institucional de tendências Identitárias, processadas pelo modelo de democracia que esta posto, encara as crises sanitárias apenas como um "fator médico", uma recorrência da "natureza" (como se homem e natureza ainda estivessem separados), e endossam o discurso daqueles que por base na promoção da sindemia alcançam seus objetivos de poder !!!
Por isso que boa parte da população tende a acreditar que as doenças são uma aleatoriedade, quando na verdade ela é fruto direto da economia-politica.
Ela é fruto direto das relações de poder pela materialidade estrutural de produção de nossas relações de vida.
A Ciranda não quer mudar, enquanto Bolsonaro continua matando, o foco dessa gente, ainda se mantém em pautas que não remetem aos interesses universais que nos remetem.
Reinaldo conceição da Silva
Marcadores: O Capital vol. 1 Crítica da Economia Política/Foucout/Biopolítica/Sindemia/Luta de classes.
Materialismo e Foco !!!

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